2012-01-30 09:00:00

30 de Janeiro, Dia da Saudade

Segunda-feira chegou. Dia de pular da cama e acordar para a vida. Dia de lembrar o trabalho e esquecer o final de semana. Dia de lembrar, dia de recordar. Também é dia de olhar para frente sem deixar de olhar para trás. Dia de sentir saudades...

Vou postar abaixo um belo texto da mineiríssima Brena Braz ou, como ela mesma se autodefine, “Belo-horizontina. Maquiadora. Ex-publicitária. Escritora temperamental. Compulsiva por xampus caros, inutilidades e batons coloridos. Acredita no amor, apesar do amor não acreditar nela.”

Saudade sem destinatário

Ando sentindo uma saudade descabida.
Saudade descabida porque não está cabendo em mim mesmo.
Não cabe em lugar algum.
Transbordou.
Saiu da borda.
Uma saudade estranha.
Uma saudade de ninguém.
Uma saudade que não tem nome ou um endereço específico.
Saudade de ligar pra alguém e chamar pra almoçar.
Saudade de sair do trabalho seis horas da tarde e chamar pro cinema.
Saudade de assistir televisão domingo à tarde debaixo do edredom.
Saudade de ter com quem conversar no final do dia.
E de ter alguém em quem pensar quando acordo.
Saudade de poder falar que gosto (e também poder falar “não gostei”) sem precisar ensaiar antes.
Saudade de sentir saudade de alguém.

Saudade do cheiro do meu perfume favorito em outra pele suada.
Saudade de ouvir que eu sou linda (de manhã cedo com a cara amassada).
Saudade de ficar em silêncio ouvindo a respiração.
Saudade de viajar sem precisar dirigir. De cantar no carro e alguém me ouvir.
Saudade de ouvir o CD de músicas favoritas que eu não gosto.

Saudade de acordar com flores e de receber presentes sem nenhuma data especial. Saudade de ter uns apelidos estranhos, que não têm nada a ver com o meu nome. Saudade de fazer as pazes e abraçar mais forte.
Saudade de ser a número um e não apenas mais um número.
Saudade de ser entendida sem precisar me explicar. De dizer o que eu quero sem precisar falar.
Saudade de ser tão igual e fazer toda a diferença.
Saudade de gostar dos mesmos lugares e de bebidas tão diferentes.
Saudade do calor, do cheiro, do gosto.
Saudade do toque, do beijo, do carinho.
Saudade com remetente e sem destinatário.
Saudade sem preço, sem endereço e sem data pra expirar.
Saudade do que ainda me falta viver.

É... ninguém me falou que cama nova provocava efeitos colaterais. Ou talvez seja só a carência do domingo à tarde. Amanhã eu descubro.

Hoje é o Dia da Saudade.
 

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