• Neste Blog
  • No 180graus
Contrariando historiadores - 25/10/2011 às 14:50h

Um resgate histórico em "Sertões de Bacharéis"

A obra será lançada amanhã, a partir das 10 horas, no auditório do Tribunal de Contas do Piauí

Compartilhar no Orkut
Livro mostra mensagens importantes Livro mostra mensagens importantes

A história da sucessão do Poder no Piauí quase sempre está atrelada aos homens "letrados", os bacharéis, que se confundem também com os "senhores da terra". Essa análise está presente nas páginas do livro "Sertões de Bacharéis  o poder no Piauí entre 1759 a 1889", de autoria de Jesualdo Cavalcanti Barros, membro da Academia Piauiense de Letras. A obra será lançada amanhã, a partir das 10 horas, no auditório do Tribunal de Contas do Piauí.

O livro revela verdades tão surpreendentes quanto incômodas. Uma delas é a nomeação do primeiro piauiense para a presidência da província, fato que só aconteceria após 46 anos. Para o autor, esse era o antídoto usado pela Coroa para barrar as oligarquias. Nesse período, eram os bacharéis saídos das Academias de Direito de Olinda/Recife e São Paulo que ficavam no poder. Porém, os "surtos oligárquicos", como define o próprio autor, logo surgiriam juntamente com a chegada da República e do voto popular.

Na introdução da obra, o autor afirma que nesse sistema gerador de oligarquias "poucos votavam para a escolha de poucos que representavam os interesses de uns poucos - os mais ricos". O título do livro faz alusão à expressão "patrimônio de bacharéis" usada por Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador e capitão-general do Grão-Pará e Maranhão, em carta ao Marquês de Pombal, para caracterizar os sertões do Piauí diante das costumeiras e intermináveis escaramuças judiciais geradas pela concessão indiscriminada de terras, sob a forma de sesmarias.

Nessa obra, fruto de cuidadosas e variadas pesquisas, o autor tenta resgatar a memória de 130 anos do exercício do poder no Piauí, período que compreende desde a instalação da capitania (1759) até a Proclamação da República (1889). Na garimpagem empreendida, foi possível saber, contrariando vários historiadores, que João Pereira Caldas, nosso primeiro governador, instalara a capitania e assumira o poder aos 23 anos de idade, e não aos 35 ou 39 anos. O bacharel João José de Oliveira Junqueira Júnior, por sua vez, responsável maior pela implantação da navegação a vapor no rio Parnaíba, o faria aos 25 anos. Ambos mais novos que o conselheiro Saraiva, o fundador de Teresina, antes apontado, com seus 27 anos, como o mais jovem de nossos governantes ao tomar posse.

A obra relaciona os piauienses,formados, à época, em academias europeias e brasileiras, bem como aqueles que exerceram cargos executivos, legislativos e judiciários.

SOBRE O AUTOR - Jesualdo Caval-canti Barros já foi deputado estadual e federal. Hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Piauí. É um dos principais defensores da criação do Estado do Gurgueia e tem várias obras publicadas. Entre elas, estão: Memória dos Confins, Dicionário Enciclopédico do Gurgueia e Gurgueia: Espaço, tempo e sociedade.


Compartilhar no Orkut

Deixe seu comentários usando o Facebook

Edição: Ilziane Virgínia
  • Compartilhar:
  • Bookmark and Share
  • M-467960
0 média
Até agora: Total de Votos: 0